Por: Marina Savioli
Durante a 42ª Feira do Livro, os alunos da 2ª série do Ensino Médio participaram de um encontro com a professora, historiadora e pesquisadora Cristina Wissenbach, em uma conversa dedicada à obra Mukanda Tiodora, HQ de Marcelo D’Salete.
Reconhecido por trabalhos como Angola Janga e Cumbe, D’Salete apresenta, em sua nova publicação, a trajetória de Tiodora, uma mulher africana escravizada que viveu em São Paulo no século XIX. Em meio às violências e desigualdades daquele período, a personagem compreende a escrita como instrumento de luta, resistência e busca pela liberdade.
Especialista em História da África e da escravidão no Brasil, Cristina Wissenbach compartilhou com os alunos sua longa relação de pesquisa com as cartas de Tiodora, descobertas por ela ainda na década de 1980, durante o mestrado na Universidade de São Paulo. Desde então, a pesquisadora dedica-se a investigar experiências africanas e afrodescendentes no Brasil oitocentista, ampliando perspectivas sobre a presença e a atuação dessas populações na construção da história do país.
Ao longo do encontro, a professora apresentou aspectos da vida de Tiodora, que foi retirada da costa africana e trazida ao Brasil como escravizada doméstica. Separada de sua família, lutou ao lado do marido pela conquista da alforria e manteve vivo o desejo de retornar à África. Suas cartas, escritas em condições adversas e marcadas por inúmeros obstáculos, nunca chegaram aos destinatários, mas permaneceram como registros históricos de resistência, memória e esperança.
Cristina Wissenbach também exibiu imagens e documentos históricos, incluindo fotografias de Militão Augusto de Azevedo e Vicenzo Pastore, que ajudaram os estudantes a visualizar a cidade de São Paulo no século XIX e refletir sobre a presença das mulheres negras naquele contexto urbano.
A conversa ampliou a compreensão dos alunos sobre os aspectos históricos, sociais e humanos presentes em Mukanda Tiodora, abordando ainda o protagonismo de mulheres, povos indígenas e populações africanas na formação da sociedade brasileira. A pesquisadora destacou a importância da presença desses temas no currículo escolar contemporâneo, impulsionada pelas Leis nº 10.639 e nº 14.986.
Mais do que uma narrativa em quadrinhos, Mukanda Tiodora foi apresentada como uma obra que articula literatura, pesquisa histórica e educação, reafirmando o papel da memória e da resistência na construção da história brasileira.
Durante la 42.ª Feria del Libro, los alumnos de 2.º de Enseñanza Media, participaron en un encuentro con la profesora, historiadora e investigadora Cristina Wissenbach, en una conversación dedicada a la obra Mukanda Tiodora, novela gráfica de Marcelo D’Salete.
Reconocido por trabajos como Angola Janga y Cumbe, D’Salete presenta en esta nueva publicación la trayectoria de Tiodora, una mujer africana esclavizada que vivió en São Paulo en el siglo XIX. En medio de las violencias y desigualdades de aquella época, la protagonista comprende la escritura como una herramienta de lucha, resistencia y búsqueda de la libertad.
Especialista en Historia de África y de la esclavitud en Brasil, Cristina Wissenbach compartió con los alumnos su larga trayectoria de investigación sobre las cartas de Tiodora, descubiertas por ella en la década de 1980, durante su máster en la Universidad de São Paulo. Desde entonces, la investigadora se dedica a estudiar las experiencias africanas y afrodescendientes en el Brasil del siglo XIX, ampliando perspectivas sobre la presencia y la actuación de estas poblaciones en la construcción de la historia del país.
A lo largo del encuentro, la profesora presentó aspectos de la vida de Tiodora, quien fue arrancada de la costa africana y llevada a Brasil como esclava doméstica. Separada de su familia, luchó junto a su marido por conseguir la libertad y mantuvo vivo el deseo de regresar a África. Sus cartas, escritas en condiciones adversas y marcadas por innumerables obstáculos, nunca llegaron a sus destinatarios, pero permanecieron como registros históricos de resistencia, memoria y esperanza.
Cristina Wissenbach también mostró imágenes y documentos históricos, incluidas fotografías de Militão Augusto de Azevedo y Vicenzo Pastore, que ayudaron a los estudiantes a visualizar la ciudad de São Paulo en el siglo XIX y a reflexionar sobre la presencia de las mujeres negras en aquel contexto urbano.
La conversación amplió la comprensión de los alumnos sobre los aspectos históricos, sociales y humanos presentes en Mukanda Tiodora, abordando además el protagonismo de las mujeres, de los pueblos indígenas y de las poblaciones africanas en la formación de la sociedad brasileña. La investigadora destacó la importancia de la presencia de estos temas en el currículo escolar contemporáneo, impulsada por las Leyes n.º 10.639 y n.º 14.986.
Más que una novela gráfica, Mukanda Tiodora fue presentada como una obra que articula literatura, investigación histórica y educación, reafirmando el papel de la memoria y de la resistencia en la construcción de la historia brasileña.