Fiesta en la madriguera
Por: Tatiana Fardo
Como parte da programação da 42ª Feira do Livro do Colégio Miguel de Cervantes, os alunos do 3º ano do Ensino Médio participaram de uma videoconferência com o escritor mexicano Juan Pablo Villalobos, autor do romance Fiesta en la madriguera. A conversa, conduzida pela professora de espanhol Giselle Cristina Gonçalves Macedo, proporcionou aos estudantes a oportunidade de aprofundar discussões sobre a obra lida em sala de aula e conhecer mais sobre o processo criativo do autor.
O escritor mexicano Juan Pablo Villalobos, que vive em Barcelona, é reconhecido internacionalmente por obras marcadas pelo humor e pela ironia, com foco em temas sociais e políticos. Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas e incluem títulos premiados, como No voy a pedirle a nadie que me crea.
Durante a conversa, Villalobos falou sobre a proposta central de Fiesta en la madriguera: abordar um tema violento a partir da perspectiva pueril de uma criança. Narrado pelo menino Tochtli, filho de um poderoso traficante mexicano, o romance utiliza humor e ironia para construir um retrato da sociedade mexicana e da criminalidade, sem abandonar o olhar inocente e, ao mesmo tempo, inquietante do protagonista.
O autor também comentou sobre seu processo de criação e revelou semelhanças pessoais com Tochtli, especialmente a curiosidade pelas palavras. Segundo Villalobos, seu interesse por dicionários influenciou diretamente uma das características mais marcantes do personagem, que coleciona palavras consideradas “difíceis”, como forma de compreender o mundo ao seu redor.
Ao falar sobre a adaptação cinematográfica do livro, o escritor contou que acompanhou de perto as filmagens e o desenvolvimento do roteiro, experiência que lhe proporcionou importantes aprendizados sobre o processo de adaptação. Para ele, ver uma obra literária ganhar uma nova linguagem exige desapego: embora algo do original inevitavelmente se perca, novos sentidos também surgem. Nesse contexto, destacou uma diferença importante entre as duas versões: enquanto o livro é mais irônico, o filme assume um tom mais emocional.
Marcado pela troca de ideias e pela curiosidade dos estudantes, o encontro ampliou as reflexões sobre literatura, violência, linguagem e representação, mostrando como a ficção pode oferecer novas formas de compreender realidades complexas.