Palestra com Patrícia Peck Pinheiro
Encontro discute o impacto da tecnologia nas famílias e questões relacionadas à segurança e ao uso ético das redes sociais

Por: Tatiana Maria de Paula Silva |11 de setembro 2014.

Em continuidade às atividades do Espaço de Reflexão Escola e Família e ao plano de formação da Equipe de Tecnologia Educacional, o Colégio Miguel de Cervantes recebeu, em 10 de setembro, a advogada Patrícia Peck Pinheiro com a palestra “Como educar os filhos para o uso ético, seguro e legal da internet”

A advogada propôs algumas recomendações para o dia a dia das famílias no que se refere ao uso da tecnologia. Para ela, a orientação e o diálogo são ferramentas importantes para proteger os filhos dos riscos envolvidos e compara o acesso às redes e às mídias sociais a “portas e janelas” que permanecem abertas sem nenhuma supervisão. “O assunto é uma novidade que se tornou a regra de comportamento comum, que nem sempre é a mais educada, correta e ética. Como em qualquer relação, é a família que precisa apontar a diretriz, a educação, a noção do certo e do errado. O ‘todo mundo faz’ não é a regra para formação das famílias que querem criar um indivíduo ético.”

Na busca por respostas às incertezas que a dimensão digital apresenta em nosso cotidiano, várias áreas de conhecimento desenvolvem estudos e reflexões sobre o fenômeno. Dentre elas, Dra. Patrícia fala das questões de segurança e de privacidade que estão sendo reconsideradas e dando origem a novas leis. “Trata-se da evolução do Direito em um mundo tecnológico, onde as máquinas testemunham o que a gente faz e onde estamos, documentando muito mais as nossas ações. Não é que o ser humano ficou melhor ou pior, a diferença é que hoje tudo o que fazemos fica registrado, documentado e publicado.”
Patrícia chamou a atenção sobre “o patrimônio reputacional digital em tempo real perpétuo” que acompanha o indivíduo desde o momento em que um conteúdo pessoal vai para a rede. “Temos um legado para nos assombrar durante toda a nossa vida de conteúdo digital. Antigamente, era mais fácil pedir desculpas e se arrepender de alguma coisa”, comenta.

Ela alertou os pais para a necessidade de explicar aos jovens as implicações legais e as consequências do uso indevido da tecnologia, exposição da imagem, segurança de informação, cyberbulling e falsidade ideológica. Ela acredita que, como responsáveis legais, é fundamental a supervisão dos pais sobre os conteúdos acessados pelos filhos e no uso de dispositivos portáteis, smartphones e tablets. “O que nossos filhos fazem nas redes sociais, hoje com 14 anos, será visto pelas pessoas que poderão empregá-los daqui a alguns anos.”

Como consequência do mundo digital em que muitos jovens baseiam suas condutas sociais, Patrícia apontou a ansiedade absoluta de informação, a dependência da conexão e a dificuldade em lidar com a frustação. “Jovens atuais estão sendo treinados a nunca perder, a só dar certo. Baseados em “egotecas” digitais onde a vida parece perfeita, não aprendem que no mundo real a competição é acirrada e que também precisamos nos preparar para sermos o nº 2 , 3 e 4…”.

Ao final da palestra, os participantes puderam tirar suas dúvidas e dividir as incertezas sobre, educação digital, inclusão e limites.



Fotos: Silvio Luiz Canella