{"id":40933,"date":"2018-05-24T17:39:54","date_gmt":"2018-05-24T20:39:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cmc.com.br\/?page_id=40933"},"modified":"2019-03-08T14:25:46","modified_gmt":"2019-03-08T17:25:46","slug":"24-05-2018-copiar-palavras-erradas-e-sinal-de-falta-de-atencao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cmc.com.br\/sitenovo\/24-05-2018-copiar-palavras-erradas-e-sinal-de-falta-de-atencao\/","title":{"rendered":"24\/05\/2018 &#8211; Copiar palavras &#8220;erradas&#8221; \u00e9 sinal de falta de aten\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #003366; font-size: 24pt;\">SALA DOS PROFESSORES<\/span><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #003366;\"><strong>Copiar palavras &#8220;erradas&#8221; \u00e9 sinal de falta de aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Por: Marisol Saucedo Lage |\u00a0<\/span><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Psicopedagoga Institucional &#8211; 24 de maio de 2018.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-40935\" src=\"https:\/\/www.cmc.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/MARISOL-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cmc.com.br\/sitenovo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/MARISOL-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cmc.com.br\/sitenovo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/MARISOL-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cmc.com.br\/sitenovo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/MARISOL-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Muitas vezes, alguns educadores e fam\u00edlias afirmam que o aluno \u00e9 distra\u00eddo, pois &#8220;erra&#8221; quando copia equivocadamente a palavra da lousa. A suspeita de desaten\u00e7\u00e3o fica mais forte ainda quando o aluno escreve errado a palavra que est\u00e1 logo na linha acima de sua escrita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio ter cautela para afirmar que o erro ortogr\u00e1fico \u00e9 sinal de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o ou distra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Para refletir sobre essa situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante compreender os processos que abrangem a a\u00e7\u00e3o da leitura\/escrita em rela\u00e7\u00e3o aos &#8220;erros ortogr\u00e1ficos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Segundo Smith (1999), os leitores mudam o ponto de fixa\u00e7\u00e3o quatro vezes por segundo. O c\u00e9rebro necessita de um segundo para completar a identifica\u00e7\u00e3o dos quatro ou cinco letras que podem ser vistas em uma \u00fanica olhada. Isso quer dizer que, quando copiamos alguma palavra, n\u00e3o o fazemos letra por letra, se assim fosse, ler\u00edamos s\u00edlaba por s\u00edlaba e comprometer\u00edamos a flu\u00eancia e\u00a0 compreens\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Um bom leitor, na concep\u00e7\u00e3o do pesquisador, pode captar 17 sinais simult\u00e2neos, aproximadamente. O estudioso afirma que \u00e0 medida que nos tornamos leitores fluentes e competentes, aprendemos a ativer mais aquilo que j\u00e1 sabemos, ou seja, vemos o in\u00edcio da palavra e, de acordo com o tema, repert\u00f3rio e cerne do texto, antecipamos as palavras no ato de ler. Antecipar \u00e9 uma das habilidades importantes para a fluidez e compreens\u00e3o durante a leitura. Isso significa que n\u00f3s &#8220;lemos&#8221; significados, e n\u00e3o letras. Veja o exemplo abaixo:<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_40934\" style=\"width: 442px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-40934\" class=\"wp-image-40934 size-full\" src=\"https:\/\/www.cmc.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/textocomletrastrocadas_44302.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/www.cmc.com.br\/sitenovo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/textocomletrastrocadas_44302.jpg 432w, https:\/\/www.cmc.com.br\/sitenovo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/textocomletrastrocadas_44302-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><p id=\"caption-attachment-40934\" class=\"wp-caption-text\">https:\/\/i2.wp.com\/minilua.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/textocomletrastrocadas_44302.jpg acesso 16\/04\/2018<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Esse \u00e9 um dado relevante para compreender que, nessas circunst\u00e2ncias, o &#8220;erro&#8221; ortogr\u00e1fico, ou melhor, a escrita n\u00e3o convencional, pode acontecer, pois assim como n\u00e3o lemos letra por letra, n\u00e3o copiamos letra por letra. Repare que ler e escrever desse modo, nada econ\u00f4mico, s\u00f3 acontece quando nos deparamos com palavras desconhecidas, que n\u00e3o fazem parte do nosso repert\u00f3rio ou de outro idioma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Ocorre que durante a leitura buscamos significados em um processo global, portanto o registro da palavra lida pelos alunos \u00e9 produto da hip\u00f3tese de escrita deles. Isso sucede frequentemente com as palavras que falamos de uma maneira e escrevemos de outra. Por exemplo, falamos <em>durmir<\/em>, no entanto, escrevemos dormir, dizemos <em>animau, caranavau e <\/em>escrevemos animal &#8211; carnaval, <em>pessoua<\/em> e escrevemos pessoa, ou seja, o aluno &#8220;erra&#8221; porque pensa, porque tem hip\u00f3teses. Esses &#8220;erros&#8221; s\u00e3o considerados construtivos, esperados nos primeiros anos do fundamental I, ap\u00f3s o trabalho dos professores com foco na ortografia, tornando observ\u00e1veis as palavras, levantando princ\u00edpios e regularidades, o aluno tem a oportunidade de construir o sistema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">No contexto bil\u00edngue &#8211; seja ele ingl\u00eas, espanhol, franc\u00eas ou italiano &#8211; alguns &#8220;erros&#8221; tamb\u00e9m s\u00e3o esperados, pois \u00e9 normal que aconte\u00e7a a interfer\u00eancia das l\u00ednguas, principalmente nos primeiros anos de contato com a l\u00edngua adicional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Steven Pinker (2002), cientista canadense, prop\u00f5e o <em>bootstrapping*\u00a0<\/em>bilingual, atividade intencional na qual o aluno tem a oportunidade de comparar as l\u00ednguas e estabelecer princ\u00edpios que regem cada uma delas. J\u00e1 a pesquisadora Karen Beeman prop\u00f5e como atividade uma &#8220;ponte&#8221; na qual compara as l\u00ednguas (materna e adicional) com o objetivo de enfatizar o que elas t\u00eam em comum e suas diferen\u00e7as. Ambas s\u00e3o oportunidades riqu\u00edssimas para desenvolver a consci\u00eancia metalingu\u00edstica, isto \u00e9, pensar, analisar a l\u00edngua e colocar aten\u00e7\u00e3o em alguns aspectos lingu\u00edsticos, como fonol\u00f3gicos, lexicais etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Como podemos concluir, os erros ortogr\u00e1ficos em tais perspectivas s\u00e3o frutos da elabora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o da crian\u00e7a, n\u00e3o por d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o ou distra\u00e7\u00e3o. Seja no contexto mononl\u00edngue ou bil\u00edngue, o importante \u00e9 favorecer oportunidades nas quais os nossos alunos possam estar em contato com a escrita, analis\u00e1-la e refletir sobre o seu sistema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">O chamado efeito S\u00e3o Mateus**, como definiu Keith Stanovich (apud Sanchez, Emilio. <em>A L\u00edngua escrita e suas dificuldades; uma vis\u00e3o integradora<\/em>. p. 99), ajuda a compreender que, para avan\u00e7ar na leitura e na escrita, \u00e9 necess\u00e1rio colocar em jogo o melhor de n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Dessa maneira, Stanovich aponta que se os alunos leem e escrevem pouco, ter\u00e3o menos oportunidades de observar as regularidades que apresentam os textos, as palavras, o sistema e seu pr\u00f3prio comportamento em rela\u00e7\u00e3o a eles.Consequentemente, ter\u00e3o uma baixa capacidade de leitura e express\u00e3o escrita. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Em seus estudos, a pesquisadora comparou sujeitos que leem pouco e que apresentam bom n\u00edvel intelectual com sujeitos que leem muito e de menor n\u00edvel intelectual. Suas pesquisas constataram que os \u00faltimos apresentam vantagens em diferentes provas de vocabul\u00e1rio e conhecimentos; assim, constatou-se que o contato com o impresso pode compensar diferen\u00e7as na capacidade intelectual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Eis a import\u00e2ncia de incentivar e proporcionar o acesso \u00e0 leitura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\"><strong><em>*Bootstrapping<\/em><\/strong>\u00a0\u00e9 um termo de origem inglesa que se originou na\u00a0d\u00e9cada de 1880\u00a0como um acess\u00f3rio para ajudar a cal\u00e7ar\u00a0botas, e gradualmente adquiriu uma cole\u00e7\u00e3o de significados metaf\u00f3ricos adicionais. O tema comum a todos esses significados \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um processo sem ajuda externa, mas com etapas de facilita\u00e7\u00e3o interna. Hoje em dia, tornou-se uma met\u00e1fora bastante utilizada. <strong><span style=\"font-size: 8pt;\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bootstrapping acesso 10\/04\/2016<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\">**Keith Stanovich utilizou para se referir a esses <strong>efeitos cumulativos<\/strong>, a par\u00e1bola dos talentos do Evangelho de <strong>S\u00e3o Mateus<\/strong>. Na realidade e embora\u00a0 \u00e0s vezes se interprete a par\u00e1bola no sentido de que quanto mais se tem, mais se ter\u00e1, e quanto menos, menos ter\u00e1, o sentido \u00e9 muito mais sutil e relevante. Como se recordar\u00e1, segundo essa par\u00e1bola, o dono da casa inicia uma longa viagem e recomenda sua fazenda a seus criados. A um, ele entrega cinco talentos, a outro, dois talentos e a um terceiro, um talento. Quando volta para casa, recebe seus criados e lhes pede que prestem contas. O que recebeu cinco talentos devolve-lhe os cinco e outros cinco que obteve ap\u00f3s negociar com eles. O que recebeu dois entrega esses mesmos dois e outros dois de lucro. Finalmente, o que recebeu um, temeroso de perd\u00ea-lo, guardou-o e, na volta de seu senhor, s\u00f3 pode lhe oferecer o mesmo\u00a0 talento que havia recebido. A resposta do amo \u00e9 contundente: &#8220;porque a todo que tem, lhe ser\u00e1 dado e ainda sobrar\u00e1, mas ao que n\u00e3o tem, at\u00e9 o que tem lhe ser\u00e1 tirado&#8221; (Mt 25,29). A par\u00e1bola ensina, em \u00faltima an\u00e1lise, que &#8220;cada um deve render conforme seu talento.\u00a0 Portanto, se a pessoa n\u00e3o exp\u00f5e seu talento, qualquer que seja, at\u00e9 o que tem lhe ser\u00e1 tirado&#8221;. (retirado de\u00a0 &#8220;A L\u00edngua escrita e suas dificuldades; uma vis\u00e3o integradora&#8221; Emilio Sanchez p. 112)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">Bibliografia<br \/>\n<\/span><\/strong><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">BEEMAN, Karin. <em>Teaching for Biliteracy: Strengthening Bridges between Languages<\/em>. Philadelphia: Caslon Publishing, 2012.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">CARVALHO, C. S. Construindo a Escrita. S\u00e3o Paulo: Editoral \u00c1tica, 2017.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">COLL. C organizador. <em>Desenvolvimento psicol\u00f3gico e educa\u00e7\u00e3o &#8211; Transtorno de desenvolvimento e necessidades educativas especiais<\/em> vol. 3. 2\u00ba edi\u00e7\u00e3o. Porto Alegre: Artmed, 2010.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">DEHAME, S. <em>Os neur\u00f4nios da Leitura<\/em>. Porto Alegre: Penso, 2012. PARADIS, Johanne; GENESSE, Fred; GRAGO, Martha. <em>Dual Language Development Disorders: A Handbook on Bilingualism &amp; Second Language Learning.<\/em> 2<sup>a<\/sup> ed. Baltimore: Brookes, 2011.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">SMITH, F. Leitura Significativa. Porto Alegre: Editora Artes M\u00e9dicas\u00a0 Sul Ltda, 1999.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">SNOWLING. M.J. <em>A Ci\u00eancia da Leitura. <\/em>Porto Alegre: Penso, 2013.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; color: #808080;\">PINKER. S, <em>O <\/em><em>instinto da Linguagem: como a mente cria a linguagem<\/em>, 1<sup>a<\/sup> ed. S\u00e3o Paulo: \u00a0Martins Fontes, 2002.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALA DOS PROFESSORES Copiar palavras &#8220;erradas&#8221; \u00e9 sinal de falta de aten\u00e7\u00e3o? Por: Marisol Saucedo Lage |\u00a0Psicopedagoga Institucional &#8211; 24 de maio de 2018. Muitas vezes, alguns educadores e fam\u00edlias afirmam que o aluno \u00e9 distra\u00eddo, pois &#8220;erra&#8221; quando copia equivocadamente a palavra da lousa. 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